Toy Story 4 – uma animação a altura do que se espera das aventuras dos brinquedos que acompanharam toda uma geração

O último capítulo de uma das mais famosas animações do mundo, coroa com muito sucesso o destino de personagens que acompanharam toda uma geração e, diferente do terceiro filme, consegue com muito mais leveza tratar temas complexos, sem perder em nenhum momento o humor.
Toy Story 4
Toy Story 4, do diretor Josh Cooley, começa tratando do conflito interno de Woody, agora como brinquedo de uma nova criança, Bonnie. O cowboy agora não é mais o preferido de sua criança, como era no primeiro filme, quando o menino Andy o tinha como parceiro inseparável de suas aventuras.

Mas apesar de não ser mais o preferido, isso não abala a motivação de Woody em ser relevante na vida da pequena Bonnie. Isso se transforma em ponto fundamental para o desenvolvimento de toda a narrativa do filme, que agora tem um novo personagem como âncora da trama, o Garfinho.

Reaproveitado de restos do lixo da escola de Bonnie, Garfinho é criado pela menina e sua jornada de autoconhecimento e reconhecimento de suas potencialidades se junta a de Woody que, ao acompanha-lo nesse processo, redescobre a si mesmo como muito mais que apenas o brinquedo de uma criança.
Toy Story 4
Em Toy Story 4, a antagonista é a boneca Gabby Gabby, que está há muito tempo em um antiquário e que casualmente tem seu destino entrelaçado com Woody e sua turma. O arco dessa boneca é muito interessante e possui algumas referências a filmes de terror como O Iluminado (Stanley Kubrick, 1980). Os comparsas da boneca também são assustadores, vividos por bonecos ventríloquos que dão muito medo, seja nas aparições de surpresa ou nas perseguições. Gabby Gabby, tem uma história de redenção durante o filme, muito influenciada por Woody, que é o herói incontestável e que acaba tendo ao final também sua redenção pessoal.

Várias questões psicológicas são abordadas também durante a história, como a “síndrome do ninho vazio” que ocorre quando os filhos crescem e saem da casa dos pais e que, pode ser aplicada também a Woody, a falta de autoestima de Garfinho e a depressão da boneca Gabby Gabby, são tratadas com extrema leveza pelo roteiro do filme, escrito por Stephany Folsom e Andrew Stanton.
Toy Story 4
Outro ponto a se destacar é a questão da faixa etária foco do filme. Apesar de ser um filme infantil, Toy Story 4 é claramente um filme dedicado aos adultos, as piadas em vários momentos atingem os espectadores mais velhos em cheio. É um claro tributo a uma geração que acompanhou as aventuras de Woody, Buzz, Betty e seus amigos. Nos cinemas o que se vê é uma massa de adultos encantados e rindo o tempo todo.

Como coadjuvantes a de destacar, temos o motoqueiro Duke Caboom e o Coelhinho e o Patinho que também tem seus objetivos e dramas pessoais a superar, mas contribuem na grande missão do filme. Buzz, um dos principais personagens desde o início da tetralogia Toy Story, ajuda para que os objetivos de Woody sejam alcançados, e descobre sua “voz interior” traz alívios cômicos bem engraçados.
Toy Story 4
A representatividade segue forte em mais esta trama. A personagem da boneca Betty, é praticamente a única que realmente tem convicção de suas motivações e que sabe o que fazer em todas as situações, deixando uma marca forte do Woman Power em várias partes do filme. A personagem Jessie acaba ganhando papel de liderança, mostrando que o empoderamento das personagens femininas ainda que, com muito atraso, chegou para ficar.

Nós do Alma Geeky recomendamos muito o filme como diversão para toda a família, em especial as crianças grandes que cresceram assistindo Toy Story.

Mais uma vez assistimos na ótima sala do Imax Palladium, que vale muito a pena pela qualidade e conforto.

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